skip to Main Content
Estudante Baiano Empreende E Ganha Milhões Para Investir Em Biotecnologia

Estudante baiano empreende e ganha milhões para investir em biotecnologia

Quem vê Steve Biko Menezes Alves Ribeiro, de 25 anos, correndo com seus livros e apostilas pelos campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA) deve imaginar que ele é apenas mais um jovem começando os estudos, trilhando os rumos

para quando terminar a graduação. Bem, não deixa de ser uma verdade, mas a real é que o rapaz sabe muito bem o que quer da sua futura profissão, de biotecnologista, e já colocou em prática: empreender a partir da solução de problemas! Inspirado no seu desenho preferido, Dexter, da Cartoon Network, entrou no curso atual, fez da ciência o seu negócio e até o momento angariou R$ 2.000,00 (dois milhões de reais) em investimentos financiados para os seus projetos.

Quando saiu do Ensino Médio, o morador do bairro de Nazaré não tinha muita noção do que fazer. “Ficou perdido”. Começou como curso de fisioterapia, depois medicina, química e por fim biotecnologia. “Biotec é um curso que acaba sendo multidisciplinar e aguça a inovação”, disse um dos sócios da Metabolics.

E foi na própria UFBA onde tudo começou.  “Peguei uma matéria chamada processamentos de dados e tínhamos criar um programa de computador. Se funcionasse a nota era dez, se não, a professora avaliava. Tinha um laboratório na universidade que as pessoas ficavam medindo as sementes e tive a ideia de agilizar os experimentos que demoravam… Desenvolvi um software através de uma câmera normal de tirar foto, em que consegui fazer a medição das sementes e verificar se estava com alguma patologia ou não. Tirei 10 na matéria e o Senai/ Cimatec se interessou. Acabamos criando uma empresa encubada e a partir dai ganhei premiações”.

Steve foi escolhido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) como um dos seis empreendedores mais inovadores para participar da Competição Nacional de Inovação, onde ganhou o 1º, o 2º e o 4º lugar. Todos os projetos desenvolvidos pelo estudante foram a partir das premiações de R$ 400 mil que recebeu para cada classificação.  “Na competição eram 36 pessoas divididas em seis equipes. Durante 72 horas tínhamos que desenvolver soluções de inovação para indústria nacional e internacional. Os investidores, como a Braskem, batiam na porta, diziam os problemas e nós tínhamos que solucionar”.

A partir das premiações, as portas se abriram mais. O governo do Reino Unido se interessou pela capacidade do jovem gênio e o convidou para fazer um intercâmbio de negócios. Após retornar, Steve foi selecionado em 2014 e 2015 para participar do programa de inovação do Ministério da Ciência, Inovação e Tecnologia. “Conheci ´grandes empresários do Brasil inteiro. O chefe de operações da América Latina da Heinz foi meu mentor do perfil de empreendedor. Aí em 2015 juntamente com o doutor Nilson Paraíso desenvolvemos um projeto de nanotecnologia para alimentos e conseguimos captar R$ 800 mil para ser desenvolvido no Senai”, compartilhou o estudante citado como uma das 50 mentes mais inovadoras do Brasil, pela MIT (Massachusetts Institute of Technology), uma das melhores  universidade do mundo.

Assim como o seu homônimo, Stephen Bantu Biko (Steve Biko), ativista anti- apartheid da África do Sul nas década de 1960 e 1970, a sua capacidade de liderança gera admiração (ou não) nas pessoas. “É fantástico ter conhecido grandes pessoas tão prematuramente e ter oportunidades tão favoráveis. Lido com pessoas com bagagem maior, que querem passar a experiência, mas  muitas vezes não entendem novas visões. E quando as pessoas que lidam comigo apenas por telefone me conhecem pessoalmente, sinto uma desconfiança inicial pela minha idade, mas consigo quebrar isso rapidamente”.

O jovem que sempre estudou em boas escolas particulares, atribui ao investimento obtido na sua edução no seu desenvolvimento hoje. “Sempre estudei em escola particular e vejo a diferença gritante em relação os estudantes de escolas públicas. Durante muito tempo dei banca para 2ª fase do vestibular. Sei das dificuldades dos alunos da rede pública”.

Para finalizar, o jovem que tem mente criativa e gosta de “solucionar problemas na sociedade”,  destacou que é preciso mudar a “visão errada da vida”. “É preparação para estudar, trabalhar, ter uma vida, guardar um pouco dinheiro e se divertir. Acredito que isso é errado. Se olhar ao seu redor, tudo foi feito por pessoas que não são mais inteligente ou influentes que outras. Todos nós podemos deixar a nossa marca no mundo que está cheio de problemas  e precisa de soluções. Após entender isso, uma  pessoa nunca mais é a mesma”.

*Midiã é jornalista e responsável pelo site Lista Negra, que conta histórias de vida de empreendedores negros e escreve para o iBahia.com às quartas-feiras.

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top