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5 COISAS QUE FALEI PARA BARACK OBAMA

5 COISAS QUE FALEI PARA BARACK OBAMA

No último dia 5 de outubro, encontrei o ex-presidente Barack Obama numa reunião privada no hotel Hilton em São Paulo. Dias antes do evento, recebi por e-mail um convite da Fundação Obama para uma reunião e um formulário com perguntas sobre meu perfil profissional e trabalho comunitário. A mensagem não trazia detalhes sobre o evento e eu sequer poderia imaginar que o próprio Obama estaria presente.
Dias depois recebi a programação do evento e a confirmação de sua presença, uma incrível surpresa. O tipo de coisa que você sente vontade de compartilhar com familiares e amig@s, mas a recomendação era explícita: somente divulgar qualquer coisa depois de autorizado por eles.

Foto: Obama Foundation

Foto: Obama Foundation

Por motivo de segurança, o encontro foi divulgado para o público 24h antes do evento e qualquer contato com a imprensa deveria ser mediado pela Fundação Obama.

O objetivo do encontro histórico foi possibilitar que o presidente escutasse 11 jovens líderes do campo social sobre os desafios dos temas atuais e como a nova fundação do ex-presidente pode atuar no mundo.
Foram dias de expectativa e reflexões: O que devo falar? Como se deu a seleção? Como sintetizar em alguns minutos tudo que Obama representa para a comunidade negra brasileira? Enfim, o grande dia chegou e, com ele, a expectativa só aumentava.

Ao entrar na sala, mais uma surpresa: ficaria lado a lado com Obama! Um filme passou pela minha cabeça, como um flash de toda a minha trajetória, o local onde nasci (em uma das áreas mais pobres de Salvador), as pessoas que me incentivaram e, sobretudo, como meu querido pai (in memoriam) receberia essa informação? Aquela não era uma conquista minha, mas coletiva… O frio na barriga só aumentou. Se não fosse pelo apoio da minha companheira, Keila Costa, eu ficaria ainda mais nervoso. Eu era o único nordestino no encontro.

Mas, logo nos primeiros minutos da reunião minha mente ficou mais calma. Não é por acaso que Obama é reconhecido por seu carisma. De maneira simbólica, ao nos cumprimentar e tirar o paletó, ele nos deixou à vontade e mostrou que era um de nós.

Foto: Obama

Foto: Obama

E essa foi a proposta do encontro: conhecer nossas iniciativas, projetos, ouvir contribuições e demandas para a Fundação Obama e, sobretudo, mostrar que é preciso, cada vez mais, fomentar o empoderamento das comunidades, para que eles desenvolvam suas próprias soluções e inovações.
E isso representa tudo que acredito: as comunidades têm soluções e um grande potencial para melhorar suas realidades, mas precisam de oportunidades.

Em minha fala com Obama, ressaltei alguns pontos que gostaria de compartilhar com vocês:

1. Falei sobre o número de pessoas negras no Brasil.
Disse ao presidente Obama que somos 100 milhões de afro-brasileiros, mas que ainda somos invisibilizados na mídia, na economia e na política. Citei que somos mais de 50% da população no Brasil, mas que mulheres negras são menos de 1% das CEOs e que negros são 70% dos pobres brasileiros. Comentei que a vinda dele para São Paulo em 2017 é como eu ir para Alabama nos anos 60, tamanha a desigualdade racial e de gênero.

2. Falei sobre a violência contra jovens.
Contei a ele que são cerca de 60 mil assassinatos de pessoas por ano, em sua maioria jovens, no Brasil. Que seria interessante ele trazer para o Brasil a importante iniciativa criada na sua gestão e chamada MY BROTHER’S KEEPER, que visa apoiar jovens negros, maiores vítimas da violência policial e da guerra às drogas. Essa será uma das pautas prioritárias da Fundação Obama e ele achou interessante fazer essa conexão com o Brasil, um dos países com maiores casos de violência no mundo.

3. Disse a Obama que os afrodescendentes não possuem voz na mídia.
Falei que no Brasil não há uma tradição de mídia negra e que não há aqui TVs, rádios ou jornais de grande circulação com temas negros. Abordei que contamos apenas com o poder da Internet, que tem ajudado a dar espaço para novas vozes políticas. Ele lembrou que nos EUA, eles têm TVs como a BET (Black Entertainment Television), fundada nos anos 80 por um empresário negro.

4. Sugeri que ele conectasse mais a comunidade negra dos EUA com o Brasil.
Brinquei com ele que deveria trazer suas amigas/amigos influentes para cá, como a empresária de mídia Oprah Winfrey, proprietária do canal a cabo OWN. Dei o exemplo do fundador do site TheGrio.com, David Wilson, que acabou de se mudar para o Brasil para criar empreendimentos na área de mídia conectando afro-brasileiros e afro-americanos. Falei que mais diversidade era bom para todos os brasileiros, sobretudo no ponto de vista econômico.

obama 1 5. Convidei o presidente para visitar Salvador, Bahia.
Falei para Obama que da próxima vez que ele viesse ao Brasil ele deveria ir à Salvador, a capital cultural e negra do país. Disse que ele ficaria impressionado com a cidade. Ele sorriu e apesar de não confirmar, creio que há uma grande oportunidade de uma visita futura dele na cidade mais representativa da cultura afro na América do Sul. Para “reforçar o convite”, deixei um kit para ele, com a bandeira da Bahia, o mapa de Salvador, uma camisa do Olodum e um boné do Vale do Dendê, nossa aceleradora de negócios criativos que visa empoderar jovens de periferias para escalar seus empreendimentos.

Por fim, Obama nos convidou para informalmente contribuir com ideias para o funcionamento da Fundação que deve operar com mais efetividade no prazo de 1 ano. O foco da fundação será o engajamento cívico e o apoio a líderes comunitários em todo o mundo.

Realmente foi um dia histórico e emocionante!

PS: Agradeço a todos os amigos, familiares e mentores que me ajudaram a chegar a esse momento. Meus colegas do Instituto Mídia Étnica, do Correio Nagô, em especial, a Casé Assessoria, sobretudo Fabiana Oliva e Patricia Casé, pela assessoria e apoio com a imprensa. Clique aqui para ver algumas matérias no Estadão, Globonews, A Tarde, Folha, Correio Nagô e o vídeo oficial na página de Barack Obama.
Paulo Rogério Nunes é publicitário e empreendedor. Cofundador da Aceleradora Vale do Dendê e consultor em diversidade e palestrante na Casé Fala. Afiliado ao Berkman Klein Center na Harvard University.

 

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